Ela nasceu em um tempo esperado. Em noite de inverno e frio constante. Mas já havia se passado cinco anos desde aquele dia e, neste instante, Raquelzinha dorme como uma princesa, segundo o papai que logo será chamado.
A menina despertou do seu sono pesado. Aqueles de criança que passa o dia descalça e com os pezinhos sujos de tanto brincar. Ela levanta os braços, como quem quer agarrar as estrelas de Órion, abre a boca bem grande de sono e logo sorri. Essa não se mostra séria com freqüência, na verdade, raramente. Talvez só quando não quer tomar banho.
- Papaaaaaaaaaaaaaaai! – sua vozinha doce alcança os ouvidos do pai coruja que corre para lhe acariciar o cabelo e dar uma ótima notícia: hoje teve sol com chuva.
A menina se alegra, pois estava esperando por ver o arco-íris há tempos.Os dois, como velhos e bons amigos, pegam uma cesta e correm para o jardim a fim de apreciar as cores no céu e colher algumas frutas já amadurecidas – amoras, jamelão...
O pai chama para brincar de pique-pega e corre ao ritmo da criança despenteada, com tranças mal feitas. Aqueles cabelos loirinhos, lisos e finos não perdem a beleza acompanhado de olhos grandes e pretos como uma jabuticaba. E um sorriso gostoso e encantador se encontra em seu rosto.
Agora, o homenzarrão ensina a filha, que dá gargalhadas e resmunga de dor na barriga e vontade de fazer pipi, a fazer caretas engraçadas. E eles rolam na grama de rir.
De repente, a mamãe chama para o almoço. É fim de semana, ninguém trabalha, nem estuda. Mas na casa de Raquelzinha sempre é dia de comemorar, porque lá o sol é mais brilhoso, a chuva mais cheirosa e o arco-íris bem mais bonito. A manhã e a noite são melhores e a grama de lá, dizem que é a mais verde.
A vida não se questiona naquele lugarejo. Não é preciso. É essencial. E, depois de uma tarde de filme, guerra de pipoca, suco de laranja e chocolate, os três vão dormir: sono de criança. Cansados e satisfeitos. Dormem logo para amanhecer e ter dia diferente outra vez.
Marcela Beerli
Marcela Beerli
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