Como derradeiro e oculto estrondo, o tempo apresenta-se de forma grotesca. Limita o ser incompleto de si mesmo. Deforma o instante abruptamente. Enche de lágrimas hipócritas o não-material humano, a alma. Silencia o encargo. Massacra o pensamento dominante que seguimos com interesse ou paixão. Magnetiza como um corpo pesado, suspenso de um ponto fixo que oscila livremente, o objetivo do livre-arbítrio. E tolhe a euforia contínua de ações. O tempo limita-se a: perspicaz, talentoso, costurador de puro egoísmo intenso. Ele torce, amassa, faz debulhar-nos em lágrimas que buscam libertação ao interesse próprio, sacode a vida. E, dissimulando aceitação de nossa triste imprecação, acaricia acalmando-nos ao intenso sono noturno, profundo. Deixando-nos em paz, no inconsciente. Provando, então, seu objetivo de única hipnotização.
Marcela B.
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