"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de
alguém, provavelmente a minha própria vida."(Clarice Lispector)


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A MAIS PURA HISTÓRIA DO AMOR


Eu amei desde a primeira vez que reparei nos meus pés. Como eu amava aqueles pés gordinhos, pequenos, como se eu já não estivesse acostumada a vê-los todos os dias com desprezo. Mas eu descobri algo muito interessante, os meus dez dedinhos mexiam de várias maneiras diferentes. Como era incrível ver aquela escadinha de dedos, um menor que os outros, todos os dias.
Até que, em uma manhã qualquer, amei o sol, o brilho que entrava em meus olhos e os faziam doer, a quentura do meu corpo escorrendo suor, como era lindo o sol. As paredes, os detalhes de tudo que eu via. Amei o sol e comecei a amar o calor.
O calor era tão quente, muito quente. E quando eu brincava de pique, saia assim, toda suada. Com muito calor. Eu chegava a minha casa com os meus pezinhos, os quais eu amava, sujos como a lama. E escutava a mamãe dizendo “Já para o banho”. A água.
Como aquela água me refrescava e me deixava limpinha para poder brincar de novo. Assim, amei a água e a limpeza. Podia me sujar toda outra vez. E chegava suada para ouvir mamãe dizendo, dessa vez com a vovó ao lado, sempre tão orgulhosa da neta que mal se dava por amar a vida, com um sorriso que vinha de cada ponta da orelha, “Que cheirinho de passarinho molhado”. E eu, toda contente, ia correndo abraçar a vovó com aquela cara de menina moleque, e ela nem ligava para eu estar daquele jeito sujo.
Como eu amava as pessoas. Elas me fazem sorrir. Eu amo as pessoas. Todas têm ideias tão divertidas. Minhas amigas sempre trazem novas brincadeiras. O papai sempre gosta de comer doces comigo, gosto muito de comer doces com o papai! Com meus irmãos, brinco. Nós brigamos às vezes, mas é só de mentirinha, porque logo voltamos a nos divertir juntos.
E eu também amo a palavra mentira. Se a mentira não existisse, a verdade não existiria. A história do Pinóquio não seria inventada, e não teria nada de nariz crescendo. Tem mentira que é boa. Como as minhas brigas, são de mentirinha boa. Mas a mentira ruim, eu não gosto não.
Também me amo, assim posso amar a tudo e a todos e eu amo o amor, porque é uma das palavras que o dicionário erra na definição. O amor é doce como um brigadeiro e eu amo brigadeiro. Assim surgiu o amor, como um arco-íris que nasce no céu, alegra a todos que dele desfruta.
- Marcela Beerli


Um comentário:

  1. Mais uma vez foco imprecionado.
    Parabens, Marcela, quando eu crescer quero escrever igual a vc.
    E eu amei os trekkings, e burarama quando eu conheci a Marcela, e desde então eu amo a muito Marcela.
    Diniz

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